Já me acostumei a te amar.
A sentir sua falta, a te desejar, a amar o seu cheiro.
Tudo. Absolutamente tudo em você me faz te querer intensamente.
Seu corpo, seu calor, seus cabelos, seus olhos tão negros quanto o café frio que está envelhecido ao meu lado.
Amargo como nunca, como a saudade.
Que se instalou no meu peito e não parece se curar.
De uma noite em que você, nos braços de outro, se perde em um amor intenso.
Sem mim, sem nós.
Sem Marte, sem Vênus.
Sem minhas tatuagens, as lágrimas deixadas pela sua partida.
E a saudade? O que eu faço com ela?
Cê simplesmente me diz pra por no bolso e viver.
Sem respirar, apenas sobreviver, não existir.
Não existir em um mundo onde não haja você aqui.
Bárbara Alencar Ramalho.
O amargo do café
A saudade de escrever
Disseram que eu tô procurando a esperança no lugar errado. Que eu tô perdida, devastada, sozinha, sem sanidade alguma pra tomar qualquer tipo de decisão que possa me levar de um lugar pro outro. Disseram que eu tava fugindo do mundo, que eu tava sendo covarde, que eu tava sendo fraca.
Teus Zeus
Cheiro de nada. De porra nenhuna, de corte nenhum de expressão nenhuma, Ele era só mais um de um milhão. Mas em dias de chuva, fumava maconha na janela de casa com o olhar vazio, parecendo procurar tanto em brigas, as letras das poesias que me roçavam o peito devagar,
Vazio como eu, Vazio como músca sem fim.
Alguns dizem ser frios, outros dizem ser cUel.
Em fria quente de Buenos Aires, sias almas congelas com tanto sentimentos inexplicáveis e tão
calorosos quando via aquela aquela charnosa moça tão mal vestida para a época,
Pegou-lhe un café a Fizgerald,
Fizeram amor a Sinatra
E como um pequeno sonho sobre ela,sussurrando o nome dele baixinho até que houvesse calma
novamenre:
Teus, Zeus, Meus,,,
E levemente embrigada, disse
Que nunca pensará em meu coração.
Meu, barba cerrada, meu,
Embriaguez
Querida L,
Venho através dessa carta expressar o meu descontentamento em relação as suas atitudes ultimamente, tendo em vista que muitos de seus passos parecem estar realmente embriagados e em direções completamente opostas das quais você pretendia seguir há um tempo atrás. Devo dizer que não reconheço muito de sua personalidade, já que para tal, mudastes da água para o vinho de uma forma trágica, desmoronando pontes, muralhas e o que fosse preciso pra alcançar o seu tão almejado objetivo, obviamente porque és teimosa demais pra se dar de até onde deveria ir, embora sua persistência seja algo positivo quando relacionada a outras coisas.
Vejo você de bar em bar. Bêbada. Cambaleando com medicamentos controlados na mão direita e uma garrafa de cerveja na mão esquerda. Pálida e esquálida como nunca, uma síndrome de quem perdeu toda coloração e a vontade de caminhar pelas pedras amarelas que costumavam constituir o seu caminho. Deixou na mesa a sua caneta. A caneta predileta, a caneta que tudo escrevia, a caneta dos lenços e contos, a caneta dos desabafos. Deixou no canto, vomitado e mal acompanhado, um violão quebrado e desafinado, sem saber fazer acordes, sem saber cantar tão suavemente como antes. Deixou no balcão a mochila verde, cheia de todas aquelas coisas que faziam sentido, agora parecem estúpidas e fúteis.
Que te aconteceu?
Estás embriagada demais pra ver? Pra entender?
Bastasse uma ligação, você estava lá, caminhando de pés juntos nas areias das praias nojentas e cagadas de Santos.
Que te aborreceu?
Quanto peso é esse que carrega pra tão longe desse lugar tão profundo que chegastes?
E o que diria Mars? Phobos? Deimos?
Seus sonhos?
Todas as respostas foram bombardeadas por um momento, um instinto, um abismo em que você escorregou e caiu.
Ninguém te viu, ninguém te vê, tu também não quer que te vejam.
É estranho demais querer morrer sozinho, mas é bonito de se ver.
Que nasce, fode, morre, tudo num ciclo infinito dessa grande merda que chamamos de vida.
E você, L? Vai pra onde?
Continuar vagando de bar em bar? Procurando não achar?
Procurando entender? Envelhecendo meses em dias?
Quem é que amas tanto que fumas cigarros baratos?
Uísques, noitadas?
Te perdestes no meio do caminho.
Eu também.
F. F.
Caixinha lilás
Da última vez que beijei teus lábios, ainda tinham o gosto amargo da cerveja da primeira noite,
A noite que começou como um desastre, mas que terminou como um filme de Hollywood. Final feliz, eu feliz, você feliz, ou mais ou menos, porém felizes.
Senti falta desse gosto todos esses dias que andei o substituindo pelo gosto amargo do calmante que me tem feito dormir. A alma de poeta se extinguiu junto com um coração partido, jorrando sangue dentro do meu peito e espalhando hematomas por todos os poros de minha pele tão pálida.
Eu me pergunto:
Onde você está?
O que está fazendo?
Sinto falta dos seus beijos.
Penso, repenso, trepenso, relembro de tudo. Suas mãos não me deixam dormir nem a base de morfina.
Os suspiros do outro lado do quarto já não fazem diferença, nem os roncos, nem os desejos guardados dentro daquela caixinha lilás que esconde a lembrança mais cruel de todas.
Sua aliança. Minha aliança.
Seu bilhete.
Todos aqueles bilhetes que você me escreveu.
Todos.
Incluindo o do pão de queijo.
Todos os bilhetes são melancólicos dentro dessa caixinha tão pequena no fundo do meu armário, me dando calafrios toda vez que suas cores insistem em chamar minha atenção.
Meu amor era violeta. O teu também. O nosso amor era violeta.
Violeta como o dia que nasce e dá o lugar para a noite, como você era meu sol e eu era a lua, precisando de ti para brilhar.
As voltas sem sentido, as lágrimas que se tornaram rotineiras, a falta que tomou conta de todo o meu espaço e substituiu o que dentro de mim havia.
Me alimento de saudade. Dia após dia.
Fome não tenho, sede também não.
Só saudade, saudade, saudade e tristeza.
É tristeza que não acaba mais.
Tanta tristeza que o mar aceitaria minhas lágrimas como colaboração para que crescesse.
Tanta tristeza que nem o mais triste dos homens seria capaz de aguentar.
A solidão que você deixou entrar pela porta que esqueceu aberta, a aliança de prata que deixou em cima da mesa, o sol que se apagou durante um inverno tenebroso em qualquer cidade russa.
Pouco uísque, pouco remédio para tanta dor, tanta tristeza...
Tanta esperança para que não hajam possibilidades.
Eu continuo a gritar, da janela do meu quarto, num dia de chuva, com os bilhetes manchados pelo sangue que escorre friamente de minhas veias ao te esperar.
Onde está você agora?
Bárbara.
Quatro passos para o sucesso do foda-se
Se você bem como eu, teve seu coração partido em pedaços tão pequenos que está parecendo quase impossível de se reerguer, vou lhes dar algumas dicas que talvez ajudem a melhorar (piorar) o processo de cura dessa grande merda que dizem se curar com o tempo, mas que se fodam.
Reflexo
A dor de ser fadada a uma eterna destruição. A uma eterna destruidora, Uma bomba, um imã que atrai coisas perigosas que explodem e destroem tudo ao seu redor. Eu faço mal, mal demais, mas por que tão mal? Quão mal é mal demais?
É sufocante saber que, para quem está ali, ouvindo de você, uma pedra imóvel, essa tal história de bomba relógio é só um mito criado por você mesma para se desfazer das vantagens de outras pessoas em relação a sua vida, embora seja óbvio e simples que a incapacidade de ser compreendida é maior do que qualquer coisa nesse mundo, mas há quem entenda, há quem saiba, há quem veja que com olhos de fogo, não se brinca com gelo ou com água, a não ser que queira virar fumaça ou desmoronar, aí já é outra história, mas só faz isso quem quer.
Me espelho naquela velha frase em "romanês" que diria "Hino Rei", ou melhor, "Espírito do Fogo", apesar de não ser a pessoa mais espiritual do mundo, tenho que concordar que nossas personalidades flamejantes são muito parecidas, principalmente em relação a destruição. Sempre soube. Me aproximei e acabei destruindo quem mais amei, por ser infantil, cega, estúpida e por pura impaciência de acreditar em minha insegurança infinita.
Isso que dá.
Isso que dá.
Escritor que abandona tudo e vira as costas fica frustrado.
Isso que dá.
Perde tudo. Perde a escrita. Perde o amor, perde a vontade, perde o talento ou qualquer outra coisa que acredite fazê-lo escrever, menos a inspiração, porque a inspiração vem, mas a gente não aproveita, a gente ignora, a gente ignora porque somos burros. Burros demais pra enxergar o que está a um palmo de nossos olhos, burros e cegos por nossa própria ignorância, fato causal que deveria ser levado em conta na hora de tomar decisões.
Portanto, deixarei isso como um apelo de ódio a mim mesma e a minha destruição. A minha reflexão sobre meus atos, sobre meus descontentamentos, sobre meus desapontamentos e minhas atitudes "rudes", "reflexas" de uma "personalidade" "insegura" "demais" e "cheias" de " " "... Capta a "ironia"?
Enfim, se o senso comum estiver certo, agora são 23:23 e eu realmente espero que ela esteja pensando em mim, pois não suportaria a ideia de tê-la pensando em outro alguém...
Sou tola, apaixonada, desfeita de durona, destrutiva e depressiva. Escritora de merda que se abandonou e se sabotou nas teias e nas mentiras da vida.
E é assim que funciona.
E é assim que vai funcionar.
Que se dane, Laura.
Deverias se foder.
...
Sempre amando.
Bár
Ba
Ra.